Cirurgia Bariátrica
A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, cujas causas são complexas e multifatoriais, envolvendo a interação entre estilo de vida, genética e fatores emocionais.
A definição mais comum de obesidade utiliza o índice de massa corporal (IMC) como referência. A gordura acumulada na região abdominal, especialmente, está ligada a um maior risco cardiometabólico. O IMC é calculado de forma simples, usando a fórmula IMC = Kg/m², onde o peso em quilos é dividido pela altura ao quadrado. Considera-se obesidade grau 1 quando o IMC está entre 30 e 34,9, o que já pode indicar a necessidade de cirurgia bariátrica. As comorbidades relatadas acima influenciam essa decisão.
No Brasil, mais da metade da população está acima do peso. A cada dia, novas enfermidades relacionadas à obesidade se tornam conhecidas, como hipertensão, diabetes, apneia do sono, dislipidemia, asma, infertilidade e refluxo gastroesofágico, além de vários tipos de câncer.
Um estudo realizado no Reino Unido mostrou que um aumento de 5 kg/m² no IMC (Índice de Massa Corporal – que discutiremos no próximo capítulo) está associado a um aumento de 30% na taxa de mortalidade geral. Os acadêmicos acreditam que estamos diante da doença do século e que, se não tomarmos medidas para mudar essa situação, enfrentaremos sérios problemas no futuro.
A indicação cirúrgica para um paciente deve ser realizada por médicos especialistas em endocrinologia ou ainda sugerido por médicos de outras áreas da medicina que entenderem o benefício que a cirurgia pode trazer ao paciente. A cirurgia pode ser realizada de duas formas: pela via laparotômica (aberta) ou pela via laparoscópica (por vídeo).
Um bom preparo pré-operatório é essencial para o sucesso da cirurgia. A avaliação deve ser detalhada e multidisciplinar, identificando qualquer fator que possa impactar o resultado do procedimento. Exames complementares são necessários para detectar condições que aumentem o risco cirúrgico, como causas secundárias da obesidade e complicações metabólicas associadas ao excesso de peso.
Os pacientes devem ser avaliados por uma equipe composta por cirurgião, endocrinologista, cardiologista, pneumologista, psicólogo e ou psiquiatra, e nutricionista. A perda de peso antes da cirurgia é crucial para facilitar o procedimento, reduzir riscos e acelerar a recuperação. Pacientes que fumam devem interromper o tabagismo pelo menos 8 a 12 semanas antes da cirurgia para diminuir o risco de complicações tromboembólicas e infecciosas.
A suspensão de contraceptivos orais e terapias de reposição hormonal um mês antes da cirurgia é recomendada. Mulheres em idade reprodutiva devem usar um método contraceptivo seguro para evitar a gravidez até que seu peso esteja estabilizado, pelo menos nos primeiros 12 meses após a cirurgia, já que não há segurança garantida em relação ao uso de contraceptivos orais após a cirurgia bariátrica em função do processo metabólico. Além disso, mulheres férteis devem realizar um teste de gravidez antes do procedimento.
O acompanhamento psicológico visa preparar o paciente para as mudanças físicas, emocionais e sociais que ocorrerão, abordando aspectos como:
- Alimentação e hábitos alimentares;
- Sensações e experiências corporais;
- Imagem corporal;
- Novos sentimentos;
- Novo estilo de vida;
- Mudanças significativas nas relações interpessoais.
Esse contato com a Psicologia proporciona uma oportunidade de autoconhecimento, permitindo que o paciente reflita sobre sua escolha de forma consciente e responsável, além de discutir suas expectativas e motivações para a cirurgia.
No pós-operatório, o suporte psicológico ajuda o paciente a se adaptar ao novo corpo, facilitando a transição entre a imagem que tinha e a que está se formando. O acompanhamento é essencial para a adaptação a novos hábitos e para as novas relações que o paciente estabelecerá consigo mesmo e com os outros. Isso contribui para uma adesão mais eficaz ao tratamento e mantém o paciente motivado e responsável pela construção de uma nova identidade.
É aconselhável que o acompanhamento psicológico seja feito por psicólogo que tenha formação e experiência específicas em questões relacionadas à obesidade, transtorno alimentar e cirurgia bariátrica.
As mudanças que o paciente vivenciará também afetarão seus familiares. Por isso, a participação da família em todo o processo, reconhecendo seu papel crucial na recuperação do paciente é tão importante. O acompanhamento pós-cirúrgico é fundamental para a adaptação a esse novo corpo.
A síndrome de dumping é um efeito colateral frequente após a Gastroplastia Redutora com Bypass Intestinal, afetando aproximadamente 85% dos pacientes que passam por esse procedimento em algum momento. Os sintomas podem variar de intensidade, indo de leves a graves, e geralmente surgem devido a escolhas alimentares inadequadas. Esse problema está associado à ingestão de açúcares refinados, como o xarope de milho rico em frutose, ou carboidratos com alto índice glicêmico. Além disso, produtos lácteos, certas gorduras e alimentos fritos também podem desencadear a síndrome, pois esses alimentos são rapidamente transportados da bolsa gástrica para o intestino delgado, provocando uma série de reações fisiológicas.
O tratamento imediato para o dumping precoce é simples: descansar sentado ou deitado até que os sintomas diminuam. No entanto, a solução definitiva é evitar os alimentos associados à síndrome.
Após a realização do desvio do estômago, a média de perda de peso um ano depois da cirurgia fica entre 30% e 40% do peso inicial. É um mito afirmar que, após um ano, os pacientes geralmente recuperam o peso. Na verdade, esse ganho costuma ocorrer quando os pacientes não adotam hábitos saudáveis, como uma dieta equilibrada e nutritiva, equilíbrio emocional e a prática regular de exercícios físicos.
Pacientes que perdem mais peso do que o esperado frequentemente apresentam alterações associadas, como questões nutricionais, metabólicas, endocrinológicas ou psicológicas, o que torna o acompanhamento multidisciplinar essencial.
Os episódios de recidiva da obesidade são mais comuns entre o terceiro e o quinto ano após a cirurgia, sendo a falta de adesão ao tratamento o principal fator para o ganho de peso subsequente. É importante ressaltar que o tratamento deve ser multidisciplinar e contínuo ao longo da vida, fazendo a manutenção da parte emocional que muitas vezes pode ser a causa da obesidade.
Um aspecto importante no pós-operatório é a capacidade de diferenciar entre fome (necessidade real) e vontade de comer (hábito). Essa distinção nem sempre é fácil, mas é essencial para as mudanças propostas no tratamento. O acompanhamento psicológico pode ser um grande aliado nesse processo de aprendizado.
As bebidas alcoólicas não apenas provocam intoxicação mais rápida, mas também afetam negativamente o fígado, o pâncreas e o cérebro. Além disso, as bebidas alcoólicas são ricas em calorias e podem contribuir para a recidiva da obesidade ou alcoolismo, afinal o paciente pode mudar a compulsão.
FILMES:
1. A Maratona de Brittany
2. Apenas Amigos
3. O Diário de Bridget Jones
4. O Mínimo para Viver
LIVROS:
- Cirurgia Bariatrica para leigos - por Brian K. Barbara; Davidson
- Avaliação psicológica para cirurgia bariátrica – por Fernanda Gonçalves da Silva
- BariUP: Desmistificando a Obesidade e a Cirurgia Bariátrica – por Caroline Isoppo de Souza, Daniele Rodrigues, Janaína Buss
SINTOMAS
Para que a cirurgia metabólica seja considerada uma hipótese de tratamento:
1 - O paciente deve ter um IMC entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m² e atender a todos os demais critérios:
2. IMC entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m²;
3. Idade entre 30 e 70 anos;
4. Diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) com menos de 10 anos de duração;
5. Falta de controle metabólico, evidenciada por acompanhamento regular com um endocrinologista por pelo menos dois anos, incluindo mudanças no estilo de vida, dieta e exercícios, além do tratamento com antidiabéticos orais e/ou injetáveis;
6. Ausência de contraindicações para o procedimento cirúrgico proposto